
A expressão de Séneca (Epodos, VII, 8) traduz a ideia de que aprendemos quando ensinamos: Homines dum docent discunt (Id., Cartas a Lucílio, 7-8).
terça-feira, novembro 13, 2007
terça-feira, agosto 14, 2007
Literatura Portuguesa do Século XX: Centenário de Miguel Torga

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu a 12 de Agosto de 1907 em S. Martinho de Anta e faleceu em 1995. É em 1928, quando ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que publica o seu primeiro livro de poesia, Ansiedade. A partir de 1941 publica o primeiro volume da obra Diário, que termina em 1993. Da sua vastíssima obra literária fazem também parte Os Bichos ou Pão Ázimo.
O centenário de Miguel Torga foi comemorado na sua terra "com a apresentação de um selo, exposições de pintura e a leitura de 100 poemas" (RTP).
UM POEMA
Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar;
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Torga, Miguel, Diário XIII
Bibliografia:
COELHO, Jacindo do Prado (Dir.), (1997), "Torga, Miguel", in Dicionário de Literatura, vol.4, pp.1093-1094. Porto: Ed. Figueirinhas.
quarta-feira, junho 20, 2007
domingo, junho 17, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
Literatura Portuguesa do Século XX: Poesia
Metamorfose
que o vento a pouco e pouco amontoara
contra o seu corpo (mal se distinguia
tal como as plantas entre a areia arfando)
um deus dormia. Há quanto tempo? Há quanto?
E um deus ou deusa? Quantos sóis e chuvas,
quantos luares nas águas ou nas nuvens,
tisnado haviam essa pele tão lisa
em que a penugem tinha areia esparsa?
Negros cabelos se espalhavam onde
nos braços recruzados se escondia o rosto.
E os olhos? Abertos ou fechados? Verdes ou castanhos
no breve espaço em que o seu bafo ardia?
Mas respirava? Ou só uma luz difusa
se demorava no seu dorso ondeante
que de tão nu e antigo se vestia
da confiada ausência em que dormia?
Mas dormiria? As pernas estendidas,
com um pé sobre outro pé e os calcanhares
um pouco soerguidos na lembrança de asas;
as nádegas suaves, as espáduas curvas
e na tão leve sombra das axilas
adivinhados pêlos... Deus ou deusa?
Há quanto tempo ali dormia? Há quanto?
Ou não dormia? Ou não estaria ali?
Ao pé dos cardos, junto à solidão
que quase lhe tocava do areal imenso,
do imenso mundo, e as águas sussurrando -
-ou não estaria ali?... E um deus ou deusa?
Imagem, só lembrança, aspiração?
De perto ou longe não se distinguia.
Jorge de Sena, Fidelidade
quinta-feira, abril 12, 2007
Poema da Auto-estrada
Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.
Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.
Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.
Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.
Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.
Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.
Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.
António Gedeão, Poesias Completas
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.
Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.
Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.
Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.
Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.
Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.
Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.
António Gedeão, Poesias Completas
Fonte: Escritas.org
quinta-feira, março 22, 2007
Literatura Portuguesa do Século XX: Poesia
Epitáfio para um poeta
A farpela de luto não condiz
Com seu ar grave, mas, enfim, feliz;
A gravata e o calçado também não.
Ponham-no fora e dispam-lhe a farpela!
Descalcem-lhe os sapatos de verniz!
Nao vêem que ele, nu, faz mais figura,
Como uma pedra, ou uma estrela?
Pois atirem-no assim à terra dura,
Ser-lhe-á conforto:
Deixem-no respirar ao menos morto!
José Régio, Obras Completas
Fonte: Escritas.org: José Régio
quinta-feira, março 15, 2007
Diferença entre os homens e a fruta
P: Qual é a diferença entre os homens e a fruta?
R: É que a fruta acaba por amadurecer.
R: É que a fruta acaba por amadurecer.
Leiria, Mário Henrique, Novos Contos do Gin-Tonic
quinta-feira, março 08, 2007
Poema: Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca, Obra Completa
Fonte: Escritas.org
domingo, março 04, 2007
Literatura Portuguesa: Poesia
Segredo
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música das chuvas na janela
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome-essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
Fernando Pinto do Amaral, Às Cegas
Fonte: Escritas.org
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Poesia latina: Epigramas
O texto trata-se de um epigrama do poeta Marcial, nascido na Hispania. A temática incide sobre a crítica ao plágio.
sed male cum recitas, incipit esse tuus."
(Marcial, xxviii, Livro I)
Subscrever:
Comentários (Atom)
Língua Latina: adjetivos de 1.ª classe
Apresenta-se um breve texto poético, que me parece adequado para o estudo dos adjetivos da 1.ª classe e na unidade 1- Os mitos Greco-Latinos...
-
Imagem extraída daqui :http://www.profteresa.net/histlingua_acet2.pdf
-
As inscrições que integram o CIL ( Corpus Inscriptionum Latinarum ) são textos bastante adequados quer pela temática cultural, quer pela lí...
-
1. O templo de Saturno (34.) Senatus populusque Romanus Incendio consumptum restituit. ...


