sábado, março 18, 2006

Literatura Portuguesa: Poesia

O texto que se segue é um poema de Olavo Bilac (1865-1918), jornalista e escritor brasileiro:


Cheguei.Chegaste.Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E parámos de súbito na estrada
Da vida: longos anos presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que o teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida,
Nem o pranto dos teus olhos humedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto, que desaparece,
Na extrema curva do caminho extremo.

                                        Olavo Bilac, Poesias

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