quinta-feira, março 08, 2007

Poema: Florbela Espanca



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

                                   Florbela Espanca, Obra Completa

Fonte: Escritas.org

domingo, março 04, 2007

Literatura Portuguesa: Poesia

Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera

de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música das chuvas na janela
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome-essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
                  
                                              Fernando Pinto do Amaral, Às Cegas

Fonte: Escritas.org

Língua Latina: adjetivos de 1.ª classe

Apresenta-se um breve texto poético, que me parece adequado para o estudo dos adjetivos da 1.ª classe e na unidade 1- Os mitos Greco-Latinos...