sexta-feira, dezembro 29, 2006

Literatura Latina Medieval: Carmina Burana

Poemas amorosos de um pergaminho do Convento Beneditino: Benediktbeuren (Mosteiro da Ordem de São Bento na Baviera, sécs. XII e XIII):

Exit diluculo
rustica puella
cum grege, cum baculo,
cum lana nouella.

Sunt in grege paruulo
ouis et asella,
uitula cum uitulo,
caper et capella.

Conspexit in caespite
scholarem sedere:
-Quid tu facis, domine?
-Veni mecum ludere.
                                       
                     Carmina Amatoria, Carmen 90


Fontes: 
Artigo: LOPES, Eliana da Cunha, (2005), Carmina Burana; A Cantata Cênica em Latim Medieval". IX Congresso Internacional de Linguística e Filologia (http://www.filologia.org.br/ixcnlf/13/index.htm). Cadernos do CNFL, Vol. IX, n.º 13. http://www.filologia.org.br/ixcnlf/13/04.htm
Texto e música: The LiederNet Archive
Texto: Monumenta.ch

domingo, outubro 29, 2006

«DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE MAGAZINE»

Eles vem aí outra vez! É o novo programa do Gato Fedorento! Não podem perder! É hoje ás 21:30 na rtp!

sexta-feira, setembro 15, 2006

Bocage e as Ninfas




Óleo de Fernando Santos. Museu de Setúbal


Fonte: 





Ó grande poeta!


Nasceu a 15 de Setembro de 1765 em Setúbal e faleceu a 21 de Dezembro de 1805 em Lisboa o poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage. Filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa e da segunda sobrinha da poetisa francesa madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do Paraíso de Milton, imitadora da Morte de Abel, de Gessner, autora da tragédia As Amazonas e do poema épico em dez cantos A Columbiada, obras que lhe valeram a coroa de luros de Voltaire e o primeiro prémio da Academia de Rouen. Foi com o padre espanhol D.João de Medina que Bocage aprendeu a lingua latina, quando estava em voga a educação humanista. Ele admirava sobretudo a poesia de dois poetas: José Abnastácio da Cunha e José Monteiro da Rocha.
No ano de 1779, apenas com 14 anos de idade, Bocage vai para Lisboa estudar numa instituição criada pelos conselheiros da rainha D.Maria I: a Academia real de Marinha. Aí recebe a sua formação científica durante sete anos e escreve algumas poesias.
A 14 de Abril de 1786, embarca para a Índia como oficial da marinha e regressa a Lisboa em meados de 1790. É convidado a integrar a Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia, e torna-se conhecido pelo pseudónimo de Elmano Sadino. Aí começa a escrever sátiras e é bem conhecido pelo seu carácter anedótico e mordaz. Esta é a sua época de maior produção literária: em 1971 foi publicada a primeira edição das Rimas. Depois de ter estado preso desde 7 de Agosto de 1797 até 14 de Novembro do mesmo ano no Limoeiro, tendo passado pela Inquisição e pelo Real Hospício das Necessidades e pelo Convento dos Beneditinos, só sai em liberdade no último dia do ano de 1798. Durante o período em que esteve detido, Bocage mudou o seu comportamento e começou a trabalhar como redactor e tradutor. Em 1800 é apresentada a tradução do livro de Delille, Os Jardins ou a arte de Afformosear as Paisagens.


Retrato Próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figurs,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deiades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades;
Num dia em que se achou mais pachorento.

                                                              Obras Completas de Bocage,
                                                              Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas, p. 109.

Bibliografia: Bocage, (2003). Obras Completas de BocagePoesias Eróticas, Burlescas e Satíricas. Org. Daniel Pires. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda, p. 109.

terça-feira, setembro 05, 2006

Férias, doces férias!!

Já acabaram as férias e as aulas estão quase a começar! Ficam as saudades da praia e do descanso, mas tudo o que é bom acaba depressa! e este blog que esteve mais parado do que nunca durante as férias vai continuar a andar!

segunda-feira, junho 12, 2006

Santo António, Santo Casamenteiro


Santo António olha por mim
pra mais depressa casar,
que cem velas e alecrim
irei pôrno teu altar.

...

Meu Santo casamenteiro
meu santinho só esperança...
Santo António milagreiro:
quem espera sempre alcança.

terça-feira, maio 30, 2006

Sugestão de leitura: Odisseu encontra Elpenor

Um episódio relevante da obra Odisseia, de Homero, no Livro X: o momento em que Odisseu encontra Elpenor ao descer ao mundo dos mortos, o Hades.


quarta-feira, maio 03, 2006

Há quanto tempo!


É verdade hoje, não sei porquê, lembrei-me dessa figura da minha infância: o TIO PATINHAS (curioso!!) e ainda conservo lá no sotão de casa os livros de BD dele! Guardo-os para que, se um dia tiver filhos, lhes mostrar as consequências que aquilo provoca na mente das criançinhas: se querem saber eu sou uma grande forreta hoje em dia!! E aviso que ainda não descobriram a cura para esse mal!!

segunda-feira, março 27, 2006

Dia Mundial do Teatro!



VLADIMIR Gogo!
POZZO (apoiando-se em Lucky, que cambaleia) O que é? Quem é?
Lucky cai, deixa cair tudo, e arrasta Pozzo consigo. Ficam os dois estendidos
no chão, desamparados entre a bagagem espalhada.
ESTRAGON É o Godot?
VLADIMIR Até que enfim! (Aproxima-se de Pozzo e Lucky.) Até que enfim
reforços!
POZZO Socorro!
ESTRAGON É o Godot?
VLADIMIR Estávamos a começar a fraquejar. Agora temos a certeza que chegamos ao
final da noite.
POZZO Socorro!
ESTRAGON Estás a ouvi-lo?
VLADIMIR Já não estamos sozinhos à espera da noite, à espera de Godot, à espera
de ... à espera. Lutámos durante a tarde inteira sem qualquer ajuda. Agora
acabou. Já é amanhã.

                                                            BECKETT, Samuel, (2002), À Espera de Godot, trad. de José                                                                    Vieira Mendes. Lisboa: Cotovia, 2.ª ed., Acto II, p.102-103.

terça-feira, março 21, 2006

Dia Mundial da Poesia!



«três poemas»

«Anton Webern está sentado no Terreiro do
Paço. Com cuidado, como quem se senta na
cadeira do dentista.Levanta-se e aproxima-
-se do arco que revela a Rua Augusta: duas
colunas sólidas "como as pernas de Eva nua,
fugindo de um pântano".


Eva nunca apanhou o comboio para o sul.
Mas esta noite, enquanto se dirigia ao frigo-
rífico com a velocidade do girassol, roçou a
anca esquerda na gaveta dos talheres que
caiu no chão: rápida tenda que o ruído mon-
tou na cozinha.Depois abriu a porta do fri-
gorífico que invadiu de pouca luz a parte
inferior da cena: garfos, facas, os pés des-
calços de Eva enquanto come melancia.


Hoje no Terreiro do Paço está reunido um
grupo de engenheiros. Alguma coisa incó-
moda aconteceu, estão de costas para o rio.
O chão está cheio de fósforos gastos.Ao cair
da tarde chega Minna Webern e o seu vestido
azul escuro. Os engenheiros disfarçam a
aflição. "Viva, que se passa?" "Absoluta-
mente nada, estamos contentes que tenhas
chegado."»

                                       COSTA, Zé Luís, (2005), 20 Poemas a Anton Webern 
                                        seguido de Aventuras. Lisboa: &Etc.

sábado, março 18, 2006

Literatura Portuguesa: Poesia

O texto que se segue é um poema de Olavo Bilac (1865-1918), jornalista e escritor brasileiro:


Cheguei.Chegaste.Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E parámos de súbito na estrada
Da vida: longos anos presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que o teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida,
Nem o pranto dos teus olhos humedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto, que desaparece,
Na extrema curva do caminho extremo.

                                        Olavo Bilac, Poesias

sexta-feira, março 10, 2006

Literatura Portuguesa do Século XX: Poesia

O texto que se apresenta é um poema de Alexandre O'Neill:

Há palavras que nos beijam
Como se estivessem na boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Com a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a Letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

                     Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Literatura Portuguesa do Século XX: Poesia

O texto que se apresenta é o poema "Urgentemente", de Eugénio de Andrade:


É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.

                      Eugénio de Andrade, Antologia Poética da Poesia Portuguesa

Literatura Portuguesa do Século XVI: Poesia

O texto que se apresenta é um soneto, de Camões:


Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor, que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: -Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

                                      Camões, Sonetos


Bibliografia:
FILHO, Leodegário A. de Azevedo, (2004), Sonetos de Luís de Camões, pp. 205-218.

sábado, fevereiro 11, 2006

Literatura Latina: Poesia

Apresenta-se um verso da obra Bucólicas, de Vergílio sobre a temática do amor:


"Omnia vincit Amor: et nos cedamus Amori."

O Amor tudo vence: também nós cedamos ao Amor.

                                                            Vergílio, Bucólica X, 69


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Literatura Portuguesa do Século XX: Poesia

As Amoras

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

                                             Eugénio de Andrade, O Outro Nome da Terra

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Literatura e Filosofia: Do conceito de contradição

O excerto apresenta o conceito de contradição:


«As coisas com que concordamos deixam-nos inactivos, mas a contradição torna-nos produtivos.»

                                                                                                     Susan Sotang, O amante do vulcão


Na minha perspectiva, fica a ideia que existe uma incoerência ou um paradoxo nas "coisas" (ideias/pensamento) e é a partir disso que se consegue criar um projeto (por exemplo: a criação artística, a estética literária).

terça-feira, janeiro 31, 2006

Literatura Portuguesa do Século XX: poesia

"As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?"

                      Eugénio de Andrade, Antologia da Poesia Portuguesa

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Hoje é dia de poesia!!

Poema de Fernando Pessoa Heterónimo:


Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afectos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.

                                       REIS, Ricardo, Odes, Clássica Editora

terça-feira, janeiro 24, 2006

«Dentadura para pensar melhor»

Hoje de manhã estava a ler o jornal O Metro quando me surpreendi com a notícia sobre um estudo feito na Universidade de Quioto no Japão. O estudo pretende provar que «as pessoas que usam dentadura não só tratam dos seus problemas bucais como garantem uma melhor performance cerebral.» Não é estranho?

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Literatura Oral: provérbios

O texto é uma sentença breve com uma lição ou ensinamento popular: provérbio.


Quando a esmola é grande, o pobre desconfia!

Língua Latina: adjetivos de 1.ª classe

Apresenta-se um breve texto poético, que me parece adequado para o estudo dos adjetivos da 1.ª classe e na unidade 1- Os mitos Greco-Latinos...