sábado, novembro 14, 2009

Tradução do texto: C. Plínio ao seu amigo Sósio Senecião

Este ano trouxe-nos grande abundância de poetas. Em todo o mês de Abril quase nenhum dia houve em que alguém não lesse a sua produção. Sinto-me feliz, porque florescem estes estudos, porque desabrocham e aparecem à luz do dia as capacidades dos homens, embora se vá para as audições com uma certa relutância. Muitos ficam sentados nos locais de convívio e passam o tempo da audição em conversas, e, de vez em quando, pedem que se lhes diga se quem vai ler já entrou (...). Então, finalmente, e só então, entram sem pressas e com todo o vagar. E nem sequer ficam até ao fim, mas retiram-se antes do termo, uns disfarçadamente e pé ante pé, outros com todo à vontade e descaramento. (...)
Agora, quem não tem nada que fazer, embora convidado com muita antecedência e muitas vezes avisado, não vem, ou, se vem, queixa-se de ter perdido o dia, uma vez que não o perdeu.
Em contrapartida, por maioria de razão, são de louvar e aplaudir aqueles a quem esta indolência ou altivez dos ouvintes não afasta da paixão da escrita e da leitura. Adeus.

Tradução portuguesa, de Sandra M.ª Candeias, 
in Boletim de Estudos Clássicos

Correspondência: Recitationes

Plínio-o-Moço regozija-se com a grande abundância de produções poéticas, mas entristece-se por causa da indifernça do público em assistir às 'recitationes'.


C. PLINIVS SOSIO SENECIONI SVO S.

Magnum prouentum poetarum annus hic attulit; toto mense Aprili nullus feres dies, quo non recitaret aliquis. Iuuat me, quod uigent studia, proferunt se ingenia ominum et ostentant, tametsi ad audiendum pigre coitur. Plerique in stationibus sedent tempusque audiendi fabulis conterun ac subinde sibi nuntiari iubent, an iam recitator intrauerint (...); tunc demum ac tun quoque lente cunctanterque ueniunt; nec tamen permanent, sed ante finem recedunt, alii dissimulanter et furtim, alii simpliciter et libere. (...)
Nunc otiosissimus quisque multo ante rogatus et identidem admonitus aut non uenit aut, si uenit, queritur se diem, quia non perdiderit, perdidisse. Sed tanto magis laudandi probandique sunt, quos a scribendi recitandique studio haec auditorum uel desidia uel superbia non retardat. (...) Vale.
Ep. I, 13

Plínio, o Jovem


Caius Plinius Secundus (Caio Plínio Cecílio Segundo) ou, também, conhecido por Plínio - o - Moço, nascido na Gália Cisalpina (61/62 - 112 d.C.).

Foi educado pelo seu tio, Plínio - o - Antigo, um importante historiador e epistológrafo. 

Teve como mestres Quintiliano e Nicetas de Esmirna.

É conhecida a sua atividade literária pelas obras como as Cartas, que foram escritas durante o seu consulado na Bitínia.

Nelas encontram-se as melhores descrições da vida quotidiana (política, social, etc) da Roma do período imperial. 

Estão agrupadas em 10 livros, e o décimo é dedicado ao cristianismo, sendo, assim, um dos primeiros documentos sobre a igreja primitiva.


Bibliografia: 
PRIETO, M.ª Helena Ureña, (2006), "Plínio-o-Moço", Dicionário de Literatura Latina. Lisboa: Verbo, pp. 268-270.


Língua Latina: adjetivos de 1.ª classe

Apresenta-se um breve texto poético, que me parece adequado para o estudo dos adjetivos da 1.ª classe e na unidade 1- Os mitos Greco-Latinos...