quarta-feira, dezembro 31, 2008

Literatura Portuguesa: Poesia

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

                                     Carlos Drummond de Andrade, Discursos de Primavera 
                                      e Algumas Sombras


Fontes: 

sábado, maio 03, 2008

Literatura Portuguesa: Fábulas

O que é filosofia?


O que é filosofia?


Perguntam todos perplexos.

Será um monte de livros,

Com discursos desconexos?


Será um bicho difícil,

que pode nos devorar,

se não formos muito espertos,

para a resposta encontrar?


Na filosofia mesmo,

nada deve ser complexo,


podemos fazê-la fácil,

numa lógica com nexo.


Filosofia é uma forma

de perguntar as questões,

que mais afligem o homem,

que mais nos dão comichões.


É perguntar sobre a vida

querer saber sobre a morte,

é um olhar para o universo

é um indagar sobre a sorte…


Filosofia faz parte

da vida de cada dia

porque pergunta os porquês

que a nossa razão afia.


Filósofo é qualquer um

que pára à beira da estrada

para pensar sobre as coisas

e ver que não sabe nada.


Filósofo deve ser

quem não quiser vegetar,

passando a vida sem rumo

sem um sentido encontrar.


Portanto filosofemos,

buscando sabedoria,

pois num bom filosofar,

teremos mais harmonia.


                               Dora Incontri, Duas Fábulas para crianças e adultos


Fonte: Duas Fábulas para Crianças e Adultos

Língua Latina: adjetivos de 1.ª classe

Apresenta-se um breve texto poético, que me parece adequado para o estudo dos adjetivos da 1.ª classe e na unidade 1- Os mitos Greco-Latinos...